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O que você precisa saber sobre a Perícia de Comparação ou Identificação de Falantes

  • Foto do escritor: Adriano Miranda
    Adriano Miranda
  • 9 de ago.
  • 3 min de leitura

Você já parou para pensar se aquela gravação de áudio que você tem pode ser usada como prova em um processo judicial? E se for preciso confirmar se a voz em uma gravação é mesmo de uma pessoa específica? É exatamente para isso que existe a perícia de comparação de falantes. Este é um exame técnico e científico que vai além da simples audição.


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O que é a Comparação de Falantes?


A comparação de falantes, também conhecida como identificação forense de falantes, é um exame pericial em áudio que busca determinar se duas ou mais amostras de fala foram produzidas pela mesma pessoa. O perito analisa e confronta uma amostra de voz/fala cuja autoria é questionada (por exemplo, uma gravação de interceptação telefônica) com uma amostra de voz/fala de autoria conhecida.


O objetivo não é apenas dizer "sim" ou "não", mas sim apresentar elementos técnicos que suportem ou contradigam a hipótese de que as vozes são do mesmo indivíduo. A conclusão, no entanto, pode não ser 100% definitiva, mas fornecerá uma base sólida para o processo.



O que o perito avalia?


A análise é detalhada e combina diferentes abordagens para garantir a confiabilidade dos resultados. O perito utiliza conhecimentos de Fonética, que estuda os sons da fala desde a produção até a percepção, para complementar a análise articulatória.


Análise Perceptivo-Auditiva: É considerada a "análise padrão-ouro" na Fonoaudiologia Forense. Nela, o profissional, com sua experiência e boa audição, avalia características como:


  • Qualidade da voz: se é rouca, soprosa ou áspera.


  • Pitch (tom): se a voz é aguda, grave ou média.


  • Loudness (intensidade): se a voz é forte, fraca ou normal.


  • Prosódia: a entonação, o ritmo e a acentuação da fala.


  • Articulação: a forma como os sons são produzidos com os lábios, a língua, etc. (se é precisa ou imprecisa).


  • Dialeto e idioleto: as variações regionais e as expressões individuais (por exemplo, o uso de "né?").

A imagem acima apresenta um espectrograma com a mesma palavra sendo dita por duas pessoas distintas cada uma com uma acentuação própria.
A imagem acima apresenta um espectrograma com a mesma palavra sendo dita por duas pessoas distintas cada uma com uma acentuação própria.

Análise Acústica: Complementa os resultados da análise perceptivo-auditiva. Para isso, o perito utiliza softwares como o Praat para analisar o sinal de áudio através de gráficos chamados espectrogramas. Neles, é possível estudar parâmetros como:


  • Frequência fundamental (F0): relacionada à vibração das pregas vocais, que é única para cada pessoa e depende de fatores fisiológicos.


  • Formantes (F1, F2, etc.): picos de energia que caracterizam as vogais e dependem da anatomia do trato vocal.


Uma abordagem combinada das análises perceptivo-auditiva e acústica é crucial, já que cada uma, isoladamente, pode ter deficiências significativas.



Fatores que podem influenciar a análise


É importante estar ciente de que a qualidade do áudio e outros fatores podem impactar o resultado do exame. O perito precisa verificar se o material é adequado para a análise. Isso inclui:


  • Ruído de fundo: ruídos elevados podem dificultar a análise e limitar a capacidade de esclarecer as vozes.


  • Qualidade da gravação: a qualidade do material de origem é essencial para o resultado do exame. Gravações de baixa qualidade podem ter trechos ininteligíveis.


  • Disfarces vocais: se o falante tentou mudar a voz (por exemplo, sussurrando ou falando de forma anasalada).


  • Questões tecnológicas: o tipo de microfone e o sistema de gravação podem afetar a qualidade do áudio.


  • Emoções e saúde: estresse, raiva, cansaço, gripe ou o uso de álcool e drogas podem alterar a fala.


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Espectrograma com as frequência e identificação de entonações do indivíduo


A importância do material e da documentação


Para o perito, o material de análise é composto por duas amostras:

  • Amostra questionada: a gravação de áudio/vídeo que precisa ser analisada, como uma interceptação telefônica.


  • Amostra padrão: a gravação de voz da pessoa de autoria conhecida, coletada em uma diligência pericial.


A documentação do processo é fundamental. É aqui que entra a

Cadeia de Custódia, um registro cronológico que garante a autenticidade, a originalidade e a integridade da evidência. A ausência ou a deficiência desse registro pode invalidar a prova pericial.



A conclusão em um documento oficial


O resultado do exame é formalizado em um Laudo Pericial (se o perito for nomeado pelo juiz) ou em um Parecer Técnico (se for contratado por uma das partes). Ambos devem ser redigidos em linguagem clara e objetiva, sem termos técnicos que possam gerar dúvidas.


A conclusão do exame, muitas vezes, é apresentada em uma escala verbal de nove pontos, que indica o grau de suporte ou contradição à hipótese de que as amostras vieram do mesmo falante.


É essencial fornecer ao perito o material de melhor qualidade possível e com a maior quantidade de informações, pois a qualidade do material de origem é o fator principal para o sucesso do exame.


O perito Prof. Dr. Adriano Miranda, foneticista especialista em comparação de falantes, pode auxiliá-lo com o seu conhecimento técnico e científico para o seu caso. Contratar um profissional perito audiovisual pode ser a solução para o seu problema.

 
 
 

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